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Seleção de amostra em pesquisa: as técnicas para não errar

11 min de leitura

Você já parou para pensar se as pessoas que respondem à sua pesquisa realmente representam o público que você quer conhecer? A seleção de amostra em pesquisa é uma das etapas mais importantes para garantir que os resultados façam sentido e possam apoiar decisões com mais segurança.

Neste artigo, você vai entender quais são as principais técnicas de seleção, como elas funcionam e o que considerar para evitar erros durante o estudo.

O que é a seleção de amostra?

A seleção de amostra é o processo de escolher, de forma planejada, quais pessoas ou unidades vão participar de uma pesquisa. Em vez de ouvir toda a população que faz parte do estudo, os pesquisadores selecionam uma parcela que tenha características relevantes para responder ao objetivo da pesquisa.

Essa parcela é chamada de amostra e representa um subconjunto finito da população-alvo, ou seja, do grupo maior sobre o qual a pesquisa pretende obter informações.

Por exemplo, se uma empresa quer entender a satisfação dos seus clientes, a população-alvo pode ser formada por todos os clientes, enquanto a amostra será composta apenas por uma parte deles.

A escolha da amostra é importante porque os resultados obtidos podem ser usados para fazer inferências sobre a população-alvo, desde que o processo de amostragem seja adequado e considere os critérios estatísticos necessários.

Por isso, mais do que simplesmente escolher algumas pessoas para responder ao questionário, a seleção de amostra envolve planejamento e critérios que ajudam a tornar os resultados da pesquisa mais confiáveis e representativos.

Qual a diferença entre amostra e amostragem?

Apesar de estarem diretamente relacionadas, amostra e amostragem não significam a mesma coisa. A diferença fica mais simples quando pensamos em uma como o grupo escolhido e a outra como o processo usado para fazer essa escolha.

Amostra

É o conjunto de pessoas ou unidades que efetivamente participam da pesquisa. Como nem sempre é possível ouvir toda a população de interesse, seleciona-se uma parte dela para responder ao estudo.

Por exemplo, se uma pesquisa pretende entender a opinião dos consumidores de uma determinada marca, os consumidores que forem selecionados para participar formam a amostra.

Amostragem 

É o método utilizado para chegar até esse grupo. Ela envolve definir quem será selecionado, quantas pessoas participarão e quais critérios serão utilizados na escolha. Dependendo dos objetivos da pesquisa, podem ser adotadas técnicas probabilísticas ou não probabilísticas.

O que levar em consideração antes de definir a amostra da pesquisa?

Definir uma amostra vai muito além de decidir quantas pessoas vão responder ao questionário. Antes de iniciar a coleta, é importante entender o objetivo do estudo, quem faz parte do público que você deseja analisar e quais limitações podem afetar a pesquisa. Alguns pontos merecem atenção:

1. Avalie se é necessário trabalhar com uma amostra

Nem toda pesquisa precisa, necessariamente, ouvir apenas uma parte da população. Dependendo do tamanho do público e das condições do estudo, pode ser possível realizar um censo, que considera todos os indivíduos da população-alvo.

Na prática, porém, trabalhar com uma amostra costuma ser mais viável. Custos, prazo, dificuldade de acesso aos participantes e questões logísticas podem tornar inviável entrevistar todo o público. Em alguns casos, também não faz sentido envolver mais pessoas do que o necessário para responder à pergunta da pesquisa.

2. Defina quem é a população-alvo

Antes de escolher os participantes, é fundamental deixar claro quem a pesquisa pretende representar. Essa definição evita que pessoas fora do perfil sejam incluídas ou que grupos importantes fiquem de fora.

Também é preciso verificar qual será a base amostral, ou seja, a fonte utilizada para encontrar e selecionar os participantes. Pode ser um cadastro de clientes, uma lista de usuários, registros de uma instituição ou outra base disponível.

Uma base desatualizada ou incompleta pode deixar determinados grupos de fora e afetar os resultados.

3. Determine o tamanho da amostra

A quantidade de participantes precisa estar relacionada ao objetivo e ao nível de precisão esperado para a pesquisa.

Uma amostra muito pequena pode dificultar a identificação de padrões, enquanto aumentar o número de participantes além do necessário pode consumir recursos sem trazer ganhos proporcionais.

Em pesquisas quantitativas, o cálculo amostral pode considerar fatores como margem de erro, nível de confiança, variabilidade da população e poder estatístico. Quanto maior a precisão desejada, em geral, maior será a amostra necessária.

4. Escolha a técnica de amostragem

O método usado para selecionar os participantes também precisa estar alinhado ao objetivo do estudo.

Na amostragem probabilística, os participantes são selecionados seguindo procedimentos que permitem trabalhar com probabilidades conhecidas de seleção. Entre as possibilidades estão a amostragem aleatória simples, sistemática, estratificada e por conglomerados.

Já a amostragem não probabilística utiliza outros critérios de seleção, como conveniência, julgamento do pesquisador, cotas ou indicação de participantes. Ela pode ser útil em situações nas quais o acesso à população é mais limitado ou em estudos com objetivos exploratórios.

5. Considere possíveis perdas e não respostas

Nem todas as pessoas selecionadas necessariamente vão concluir a pesquisa. Algumas podem recusar o convite, abandonar o questionário ou não responder a determinadas etapas.

Por isso, é importante considerar essas possíveis perdas ainda durante o planejamento. Dependendo do estudo, pode ser necessário selecionar um número um pouco maior de participantes para chegar ao total de respostas desejado.

Também vale acompanhar o perfil dos participantes que não responderam. Se um determinado grupo estiver deixando a pesquisa com mais frequência do que outros, isso pode gerar um viés de não resposta e afetar a interpretação dos resultados.

6. Considere o desenho da pesquisa

O tipo de estudo também influencia a maneira como a amostra deve ser planejada. Uma pesquisa transversal, por exemplo, pode ter necessidades diferentes de um estudo de coorte, no qual os mesmos participantes são acompanhados durante determinado período.

Em estudos que envolvem acompanhamento ao longo do tempo, é importante pensar também na retenção dos participantes e no risco de perdas durante o processo.

Já em pesquisas que comparam diferentes grupos, a seleção precisa considerar critérios que permitam estabelecer comparações adequadas.

Por isso, não existe uma única fórmula para definir uma amostra. O tamanho, o perfil dos participantes e a técnica de seleção precisam fazer sentido para o objetivo e o desenho de cada pesquisa.

Como definir o tamanho da amostra?

Uma das dúvidas mais comuns ao planejar uma pesquisa é saber quantas pessoas precisam participar (tamanho da amostra) para que os resultados sejam úteis.

Não existe um número único que sirva para todos os estudos. O tamanho da amostra depende do objetivo da pesquisa, do nível de precisão desejado e da forma como os participantes serão selecionados.

Para chegar a uma quantidade adequada, alguns fatores precisam ser considerados:

Defina a margem de erro

A margem de erro indica o quanto os resultados obtidos na amostra podem variar em relação ao que seria observado em toda a população.

Em pesquisas populacionais, é comum trabalhar com margens entre 2 e 5 pontos percentuais, dependendo do objetivo do estudo.

Quanto menor for a margem de erro desejada, maior tende a ser o número de participantes necessário.

Considere o nível de precisão desejado

Uma amostra precisa ter participantes suficientes para produzir estimativas com a precisão esperada e, quando aplicável, permitir identificar relações ou diferenças entre os grupos analisados.

Uma quantidade muito pequena de respostas pode dificultar a identificação de padrões e reduzir a capacidade da pesquisa de produzir conclusões estatisticamente confiáveis.

Leve em conta o método de amostragem

A forma como os participantes serão escolhidos também interfere no cálculo. Uma pesquisa que utiliza amostragem aleatória simples, por exemplo, pode ter necessidades diferentes de um estudo que trabalha com estratos, conglomerados ou outros desenhos amostrais.

Por isso, o tamanho da amostra deve ser definido considerando o método que será utilizado na coleta.

Antecipe perdas e recusas

Nem todo participante convidado necessariamente vai responder à pesquisa ou concluir o questionário. Para evitar que essas perdas reduzam a quantidade final de respostas, pode ser necessário aumentar o número de pessoas inicialmente previsto.

Como referência de planejamento, alguns estudos acrescentam cerca de 10% à amostra calculada para compensar possíveis perdas e recusas. Esse percentual, porém, pode variar de acordo com o público e as características da pesquisa.

Não confunda quantidade com representatividade

Ter muitas respostas não significa, por si só, que uma pesquisa tenha uma boa amostra. Se os participantes não representarem adequadamente a população que se deseja estudar, o volume de respostas não elimina possíveis vieses de seleção ou de não resposta.

Por isso, o cálculo do tamanho da amostra deve caminhar junto com uma boa estratégia de seleção dos participantes. O objetivo não é apenas alcançar um determinado número de respostas, mas construir uma amostra adequada ao propósito da pesquisa.

Passo a passo: como fazer a seleção da amostra em pesquisa?

Depois de entender os principais conceitos, chega a hora de colocar o planejamento em prática. A seleção da amostra em pesquisa precisa seguir alguns passos para que os participantes escolhidos estejam de acordo com o objetivo do estudo e os resultados possam ser analisados de forma adequada.

1. Defina o objetivo da pesquisa

Antes de pensar em quem vai responder, deixe claro o que a pesquisa pretende descobrir. O objetivo da pesquisa ajuda a determinar quais pessoas precisam fazer parte do estudo e quais características são relevantes para a análise.

Por exemplo, uma pesquisa sobre hábitos de consumo de determinado produto pode precisar considerar idade, região, frequência de compra ou outros critérios relacionados ao público estudado.

2. Determine a população-alvo

Com o objetivo definido, estabeleça quem representa a população que você deseja conhecer. Essa definição deve ser específica o suficiente para orientar a seleção dos participantes.

Se a pesquisa busca entender a satisfação dos clientes de uma empresa, por exemplo, a população-alvo pode ser formada por todos os clientes que realizaram uma compra em determinado período.

3. Estabeleça os critérios de participação

Agora é hora de definir quem pode ou não participar. Os critérios de inclusão e exclusão ajudam a manter a amostra alinhada ao objetivo da pesquisa.

Podem ser considerados fatores como idade, localização, experiência com determinado produto ou serviço, frequência de uso e outros requisitos importantes para o estudo.

4. Escolha a técnica de amostragem

Com o público definido, selecione a estratégia que será utilizada para encontrar os participantes.

Entre as possibilidades estão técnicas probabilísticas, como amostragem aleatória simples e estratificada, e técnicas não probabilísticas, como amostragem por conveniência e por cotas.

A escolha deve levar em conta o objetivo do estudo, o acesso ao público e o nível de representatividade necessário.

5. Calcule o tamanho da amostra

Defina quantas pessoas precisam participar da pesquisa. Esse número pode ser calculado considerando fatores como tamanho da população, margem de erro, nível de confiança e desenho amostral.

Também é importante prever possíveis perdas ou recusas para evitar que a quantidade final de respostas fique abaixo do necessário.

6. Selecione os participantes

Com os critérios, a técnica e o tamanho da amostra definidos, começa a seleção propriamente dita.

Os participantes podem ser escolhidos a partir de uma base de clientes, cadastro de usuários, painel de respondentes ou outra fonte adequada ao público pesquisado. O importante é seguir os critérios estabelecidos no planejamento e evitar escolhas que introduzam vieses desnecessários.

7. Acompanhe a coleta

Durante a pesquisa, monitore quem está respondendo. Verifique se a composição da amostra continua de acordo com o perfil planejado e observe possíveis diferenças na participação entre os grupos.

Essa etapa permite identificar problemas ainda durante a coleta, como excesso de respostas de determinado perfil ou dificuldade para alcançar um grupo específico.

8. Avalie a qualidade da amostra

Depois da coleta, analise se a amostra obtida corresponde ao que foi planejado. Também é importante observar possíveis perdas, recusas e características que possam afetar a interpretação dos resultados.

Uma boa seleção de amostra não termina quando o número de respostas é atingido. É preciso verificar se o processo utilizado realmente atende ao objetivo da pesquisa e se os dados coletados são adequados para a análise.

Como encontrar respondentes para a seleção da amostra?

Existem diferentes formas de recrutar respondentes, como divulgar o questionário em canais próprios, utilizar bases de contatos ou recorrer a plataformas especializadas.

Para pesquisas que precisam alcançar um público com características específicas, contar com um painel de respondentes pode facilitar bastante esse processo.

Em vez de começar a busca do zero, a empresa pode acessar uma base de pessoas previamente cadastradas e selecionar participantes de acordo com os critérios definidos para o estudo.

O PainelTAP, por exemplo, permite encontrar respondentes para diferentes tipos de pesquisa, considerando características de perfil e critérios de segmentação. Dessa forma, fica mais simples direcionar o questionário para pessoas que realmente fazem parte da população que a pesquisa pretende analisar.

Além de facilitar o recrutamento, o uso de um painel pode ajudar a tornar a coleta mais organizada e agilizar o alcance da quantidade de respostas necessária para a pesquisa.

Quer saber mais sobre? Fale com a nossa equipe e faça sua seleção de amostra em pesquisa. 

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